Autor: Alexandre Navarro
Minha avó dizia...
Minha avó dizia que nem tudo o que reluz é ouro. Ela me dizia muitas coisas, e confesso que algumas não entendo até hoje, mas guardei muitas lições para minha vida. Estamos vivendo um periodo em que os valores, a moral e a ética são três "pessoas" desaparecidas. Será que vale a pena encontrá-las?
Durante minha infância fui um neto muito atencioso. Sempre que podia assentava aos pés da minha querida avó e ouvia seus precioso ensinamentos. Ela sempre me disse muitas coisas, dizia uns ditados populares e, quando fazia alguma peraltice lá estava ela para repetí-los com umas boas palmadas.
Acredito que os ensinamentos de uma pessoa mais experiente pode ser muito enriquecedor para a nossa vida. Ainda criança ouvi muitos deles e, mesmo sem compreendê-los plenamente naquela época, hoje recordo com carinho algumas frases e as ponho em prática na minha empresa.
Certa vez me divertia com amigos jogando bolinhas de gude. Nunca fui um exímio jogador e como você já pode deduzir: perdi. Havia um menino muito gozador o qual havia ganho tantas bolinha que as colecionava em pequenas latinhas. Fiquei muito aborrecido com a derrota e peguei sorrateiramente umas das latinhas daquele menino. Quase posso fechar os olhos e ver como eram bonitas aquelas bolinhas, brilhavam; umas grandes, outras pequenas, algumas com enfeites. Corri para casa com aquele lindo "presente". Para minha surpresa minha avó me aguardava na porta. Não foram necessárias sequer três palavras para que ela soubesse que aquilo não me pertencia. Imediatamente ela ordenou que eu retornasse ao grupo de amigos, me retratasse publicamente, devolvendo a pequena latinha ao menino e pedindo-lhe desculpas. Quando retornei ao encontro de minha avó percebi que um longo cinto de couro estava em suas mãos. Ela pediu para que eu debruçasse em seu colo para que pudesse aprender uma lição. Levei uma bela surra embargada por minha lágrimas e sua suave voz repetindo: "Nem tudo o que reluz é ouro".
Pode até parecer cômico para você caro leitor, mas para mim foi uma amarga experiência, porém com um final adocicado. Depois deste episódio nunca mais tomei posse do que não era meu.
Lembro que minha avozinha me dizia muitas coisa, como:
- Quem não tem cão caça com gato;
- Que tem boca vai a Roma;
- Não caia no conto do vigário;
- Você deve ter memória de elefante;
- De grão em grão a galinha enche o papo;
- Uma andorinha só não faz verão;
- Filho de peixe, peixinho é;
- Ou, quando um burro fala, o outro murcha as orelhas.
Enfim, quem nunca ouvi coisas deste tipo?
Creio que um dos principais problemas que deteriorarão esta geração é a auto suficiencia. Ouvir também faz parte da vida, e ainda, não é preciso "quebrar a cara" para aprender boas lições.
Observando o comportamento das pessoas percebo que muitas delas desconhecem a moral, á ética e os bons costumes. Estes três fundamentos constituem os pilares para viver em sociedade de forma saudavel e equilibrada.
Trazendo os ensinamento da minha avó para dentro do meio empresarial, vejo que muitos pequenos e grandes problemas de relacionamento poderiam ser evitados se fossem aplicados tais conceitos. Por exemplo: cobiçar o cargo de outra pessoa até o ponto de roubar idéias e alcançar uma promoção em seu lugar (me lembrei da latinha de bolas de gude). Eu não posso tomar o que não é meu, mas posso conquistar o que mereço.
Muitas vezes vejo "cobras engolindo cobras" no ambiente de trabalho, onde passamos a maior parte de nossas vidas, fazendo deste lugar um ambiente hostil e inóspito, ao qual deveria ser minimamente agradável. Intrigas, fofocas, rebeliões, comentários inadequados, relacionamentos conjugais no ambiente de trabalho, e muitos outros problemas que destroem a harmonia de crescimento de uma empresa poderiam ser minimizados ou até mesmo extintos se o ser humano soubesse conviver em sociedade harmonicamente.
Reflita: se o presidente da empresa; alcança seus 50 anos, casado, pai de dois filhos, possuidor de um belo patrimônio resolve despedir sua antiga secretária e contratar uma belíssima e linda jovem. Ela chama-se Sr.ª X, 23 anos, usa roupas insinuantes, robustos decotes. Hummmm. Com o tempo, o que você deduz que acontecerá?
Ai está o problema: não deverá acontecer absolutamente nada, ou melhor, não deveria. Vivemos em um mundo que os valores morais de conduta se perderam em um lugar tão distante que parece ser impossível realvê-los. Famílias são destruídas pelo adultério, patrimônios são desmantelados pela sonegação fiscal, amizades terminam pelas intrigas, sonhos se perdem em meio a planos mirabolantes para assumir um determinado cargo. Conclusão: os relacionamento se perderam.
Minha avó já dizia: cada macaco no seu galho. Se cada um de nós, como indivíduos únicos, dotatos de dons, talentos e habilidades infinitas tivermos um pouquinho de bom senso poderemos viver a vida como ela deveria ser: feliz e próspera.
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